Dúvidas comuns
Onde fica a descrição perimétrica dentro da matrícula?
No corpo da descrição do imóvel, logo depois de expressões como "e de seguinte descrição perimétrica" ou "conforme memorial descritivo". Em imóvel rural georreferenciado ela costuma ter entrado por averbação, depois que o INCRA certificou a não sobreposição no SIGEF, na forma da Lei nº 10.267/2001. Em imóvel urbano, o caminho mais comum é a retificação de área.
Copie do começo da descrição até o último vértice, com os confrontantes. Sobrar texto antes ou depois não faz mal. A leitura procura o bloco de vértices e ignora o resto.
Colei o texto e não reconheceu nenhuma coordenada. O que houve?
Quase sempre o trecho copiado parou antes do bloco de vértices. A outra suspeita é o PDF: quando ele quebra um -46°39'09,616" no meio, em duas linhas, o número deixa de ser reconhecível. Vale conferir se o que você colou traz pares de longitude e latitude em sequência.
Há ainda o memorial escrito por rumos e distâncias, do tipo "segue por 45 metros no rumo 32°10' SE". Aí não existe coordenada nenhuma. Esse texto ensina a caminhar pelo perímetro, mas não diz de onde se parte, então não há como situar o imóvel no mapa.
O que significa "confere" e o que significa "diverge"?
A ferramenta calcula área e perímetro pelos vértices e compara com o que o texto declara. Fechando dentro de 2%, aparece confere.
Diverge não reprova o memorial, só pede conferência. Pode ser um dígito trocado numa coordenada, um vértice faltando, um vértice fora de ordem, ou mesmo um memorial inconsistente com ele próprio. Pode ser também que a área do texto tenha sido calculada no plano UTM, como é praxe, enquanto o cálculo daqui é feito no elipsoide. Essa diferença de método costuma ficar na casa de 0,1%, então ela explica um desvio pequeno, nunca um grande.
Se o texto não declara área nem perímetro, não há o que comparar, e a ferramenta diz isso. Boa parte dos memoriais é assim.
O imóvel apareceu no lugar errado do mapa. Por quê?
Latitude e longitude trocadas. Quando os pares vêm soltos, sem código de vértice, o texto não diz qual número é qual, e a leitura assume longitude primeiro. Se o desenho foi parar em outro continente, é isso. Use o botão Inverter para latitude, longitude que aparece junto do resultado.
UTM sem meridiano central. Coordenadas N/E só viram latitude e longitude quando se sabe o fuso. Sem essa informação nada é desenhado, o que é melhor do que um chute.
Vértices fora de ordem. Neste caso o imóvel cai no lugar certo, só que o contorno cruza a si mesmo e fica com cara de laço. A área sai errada e a conferência costuma acusar.
Quando preciso escolher o fuso UTM?
Só quando o texto está em UTM e não informa o meridiano central. Memorial bem redigido informa, e aí o campo nem chega a ser usado. O Brasil vai do fuso 18 ao 25, e cada um tem seu meridiano central pela relação MC = 6 × fuso − 183.
Fuso errado não dá erro pequeno. Desloca o imóvel em centenas de quilômetros, e é por isso que a ferramenta não arrisca sozinha.
O shapefile daqui serve para enviar à plataforma MAPA do ONR?
Não serve. O que sai daqui é geometria. Você leva o polígono em SIRGAS 2000 com o .prj correspondente, mais os campos que dá para calcular do próprio desenho: área, perímetro, número de vértices e o formato de onde vieram as coordenadas. Abre direto no QGIS e no ArcGIS.
O pacote do MAPA é outra coisa. Ele exige 34 campos preenchidos, entre eles MATRICULA, DAT_MAT, LIV_MAT, FOL_MAT, CNS, CNM, NOME_PROP, CPF_CNPJ, REL_JUR, CONF_MAT, CCIR_SNCR, SIGEF, CAR e CLASSIFICA.
Nada disso está na descrição perimétrica. Esses dados vêm do acervo da serventia: a matrícula, o cadastro do proprietário, o histórico de atos. Montar o pacote ONR é trabalho do sistema registral do cartório, onde a matrícula já está vinculada. Aqui se resolve a parte que depende só do texto.
A ferramenta certifica o georreferenciamento?
Não certifica, e nada aqui substitui o trabalho do profissional habilitado ou a certificação do INCRA. O que ela faz é ler o texto que já existe e mostrar o desenho correspondente, para você conferir antes de qualificar e para entregar a geometria a quem for trabalhar nela.
A leitura usa inteligência artificial?
Não usa. O reconhecimento é feito por expressões regulares, que procuram as formas conhecidas de escrever uma coordenada, e a conversão sai de fórmula fechada, a inversa de Mercator Transversa sobre o elipsoide GRS80/SIRGAS 2000. Não há modelo de linguagem, nem inferência estatística, nem chamada a serviço externo. O mesmo texto devolve sempre os mesmos vértices.
Isso corta dos dois lados. O que a ferramenta não reconhece, ela também não inventa. Texto fora dos padrões aceitos devolve "nenhuma coordenada reconhecida", e não um palpite.
O texto que eu colo fica guardado em algum lugar?
Não fica. A leitura, a conversão, o cálculo e a montagem dos arquivos acontecem todos dentro do seu navegador, e nada do que você cola é enviado para servidor nenhum, nosso ou de terceiros. Da rede vêm só as imagens de fundo do mapa, que não carregam informação sobre o seu texto.